Postado por Paulo Coelho no G1 em 12 de novembro de 2009 às 00:32
Quando eu me encontrava fazendo o caminho de Roma, um dos quatro caminhos sagrados de minha tradição mágica, me dei conta – depois de quase 20 dias praticamente sozinho – que estava muito pior do que quando havia começado.
Com a solidão, comecei a ter sentimentos mesquinhos, amargos, ignóbeis.
Procurei a guia do caminho, e comentei o fato. Disse que, ao iniciar aquela peregrinação, achei que ia me aproximar de Deus. Entretanto, depois de três semanas, estava me sentindo muito pior.
“Você está melhor, não se preocupe”, disse ela. “Na verdade, quando acendemos a luz interior, a primeira coisa que vemos são as teias de aranha e a poeira, nossos pontos fracos. Já estavam ali, só que você não estava vendo nada, porque estava escuro. Agora ficou mais fácil limpar sua alma”.